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Religião precisa ser exemplo durante a pandemia e combater fanatismos, diz pesquisador

O episódio em que cerca de 300 pessoas, entre elas seguidores de uma denominação evangélica, fizeram uma manifestação contra as medidas de isolamento social em virtude da pandemia, incluindo a queima de máscaras de proteção, acendeu discussão sobre papel da religião no combate ao novo coronavírus. Na ocasião, os manifestantes, aglomerados, gritavam palavras de ordem em que diziam: “Jesus não quer ver ninguém mascarado, Deus não se agrada de medrosos”, dizia um dos manifestantes.

Segundo o pesquisador de religião e sociedade, Fernando Costa, a religião tem um papel importante durante a pandemia, inclusive o de combater o fanatismo. “Enquanto as pessoas estão com angústia, com medo do presente e com medo do futuro, a religião dá um sentido de vida. A religião defende, entre seus valores, a austeridade e o respeito à vida humana”, explicou.

“Por isso que, por meio da acolhida das pessoas, da ajuda aos governos, a religião precisa ser um exemplo nesse momento de pandemia. Combatendo, inclusive, o fanatismo, que acredito não ser da maioria das práticas religiosas. Por isso que os religiosos e a religião estão desempenhando um papel importantíssimo nesse momento. Através do exemplo, do bom senso, da acolhida e, acima de tudo, do respeito pelas pessoas”, completou Fernando.

Pesquisador repercute manifestação com queima de máscaras em Santa Helena

Pesquisador repercute manifestação com queima de máscaras em Santa Helena

Ministério da Saúde passou a recomendar, no início de abril, o uso de máscaras para diminuir o risco de contaminação pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2). Podem ser as de tecido, costuradas em casa, ou as descartáveis. Já as cirúrgicas, em falta nos hospitais, devem ficar restritas a médicos e profissionais de enfermagem.

O episódio ocorreu entre os municípios maranhenses de Santa Helena (que está com decreto em vigor de ‘lockdown’ – confinamento obrigatório) e Turilândia, que fica a 160 km de São Luís. A manifestação repercutiu de forma negativa em todo o estado. As prefeituras das duas cidades dizem não saber quem organizou a manifestação. Classificam o episódio como “muito triste”, além de “um desrespeito aos decretos de isolamento social”.

O que diz a Igreja Evangélica Assembleia de Deus

Em nota, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus em Santa Helena disse que não teve participação e não está de acordo com a manifestação da forma como foi realizada, pois a mesma está indo contra todas as recomendações dos órgãos competentes de saúde, visto que coloca em risco a vida das pessoas, como, por exemplo, o não uso da máscara de proteção e aglomeração de pessoas.

Ainda na nota, a Igreja Evangélica Assembleia de Deus diz que espera que as autoridades competentes tomem as devidas providências, pois “estamos cumprindo as decisões das mesmas e não compactuamos com o ato desregrado e desprovido de qualquer senso de responsabilidade humana e cristã”, publicou.

Prefeitura de Santa Helena lamenta

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde de Santa Helena disse que não houve qualquer participação da prefeitura na manifestação e que nesse fim de semana o município entrou em ‘lockdown’ por meio de decreto.

Afirmou, ainda, que desde o início da pandemia vem seguindo todas as orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ministério da Saúde, sobretudo no que diz respeito as aglomerações de pessoas. Disse ainda que o jurídico da prefeitura de Santa Helena estuda como proceder em relação aos organizadores do que chamou de “triste evento”.

G1 MA

Redação Jornal Maranhão Agora

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