Após período de baixa, chegando a operar com menos de 1% de sua capacidade, o reservatório do Batatã pode voltar a alcançar volume de água correspondente à sua capacidade máxima até o mês de março deste ano, caso o volume das chuvas se mantenha regular na capital.

A estimativa é de Fernando Menezes, engenheiro de Produção de Água do Sistema Metropolitano da Caema que aponta que a última vez em que o reservatório chegou à sua capacidade total foi no ano de 2009.

Fernando destaca que atualmente o reservatório opera com 63% de sua capacidade.

O sistema chega a armazenar, ao total, 4.680.000 metros cúbicos, abastecendo a chamada Zona 1, que abrange a área do Centro e adjacências, e contribuindo para a Zona 2, contabilizando cerca de 50 bairros. Isso corresponde a cerca de 30% da população de São Luís, que conta com cerca de 1,1 milhão de habitantes, segundo o IBGE. As demais zonas são abastecidas pelo Sistema Italuís.

O reservatório possui comprimento de 465 metros e altura máxima de 17 metros, sendo preenchido por água proveniente das chuvas e dos rios Batatã e da Prata. Essa água é deslocada por uma estação elevatória, passa pelo reservatório Mãe Isabel e então segue para a estação de tratamento da Caema, posteriormente sendo enviada para um reservatório de água tratada.

Reservatório em nível crítico entre 2014 e 2015

Entre 2014-2015, o volume de água do reservatório ficou crítico e especialistas avaliaram possibilidade da barragem secar em 15 anos. Já em 2018, o reservatório não estava mais em nível crítico, ainda que não estivesse no ideal, operando com 18% da capacidade. No ano passado, segundo Fernando, a situação foi alavancada: entre 50 e 55% da capacidade do Batatã estava preenchida.

Atualmente, a barragem passa por obras, realizadas pela Prefeitura de São Luís. A intervenção foi iniciada em setembro de 2019 devendo ser finalizada também em março.

Segundo a gestão municipal, a barragem estava bastante comprometida estruturalmente, apresentando erosão profunda em vários pontos. Um possível rompimento, além de comprometer o abastecimento de água da capital, poderia gerar um alagamento nas comunidades do entorno, sendo o Coroadinho que mais seria afetado.

Para evitar aumento da erosão, que é provocada pelas chuvas, está sendo feito o plantio de grama nos taludes, os terrenos inclinado que estabelecem os limites na área e tem como função garantir a estabilidade no local. Também está sendo feita a recuperação de uma rampa de passagem na barragem. No local já foram executados serviços de escavação, compactação, aterramento, recuperação de proteção do talude, descidas de águas, canaletas de drenagem, dreno profundo com brita, sarjetão, caixas em concreto, canais e plantio de vegetação com proteção de encosta.

Quando e por que foi criado o Batatã

Com a restauração da Reserva Florestal do Sacavém em 1950, engenheiros, que vieram dos Estados Unidos da América (EUA), perceberam o potencial de uso das águas que por ali corriam, visando uma expansão da utilização delas na capital maranhense.

Alguns anos depois, em 1964, foi construída então uma barragem no rio Batatã, que posteriormente deu origem ao reservatório, construído pelo Departamento Nacional de Obras em um esforço conjunto de pesquisa de militares, engenheiros americanos e técnicos locais.

O Imparcial