O governador Flávio Dino acha precipitado um debate sobre as eleições de 2022. Ainda assim, quando questionado sobre sua sucessão, ele admite que o vice-governador Carlos Brandão será um nome forte no tabuleiro político: “Brandão é uma espécie de pré-candidato natural, até porque existe o cenário de eu sair do Governo e ele, naturalmente, assumir o Governo. Então é óbvio que ele é um pré-candidato natural em 2022”, afirma Flávio.

Ele concedeu entrevista exclusiva ao Jornal Pequeno, na manhã de sexta-feira (3), e foi enfático ao dizer que sua agenda em 2020 não tem nada a ver com eleição presidencial. “A minha agenda, neste ano, é a gestão do Maranhão e, no plano da política, as eleições municipais”. Mesmo fazendo esta ressalva, o JP questionou o governador sobre cenários para a eleição majoritária de 2022:

Jornal Pequeno – Na sua opinião, o vice Carlos Brandão está mesmo em posição de destaque no cenário de sua sucessão?

Flávio Dino – Eu acho, em primeiro lugar, que há de fato que se reconhecer que Brandão tem sido correto e dedicado no cumprimento de seu papel, não só de substituir (bater aqui na madeira; (risos) suceder e não eventualmente substituir, neste caso) o governador, mas sobretudo no sentido de auxiliar.

Ele tem sido muito presente, portanto, em alguns temas, como no caso de investimentos privados, que é uma área que eu deleguei a ele porque, graças a Deus, são muitas reuniões e é impossível a mim fazê-las sozinho.  Participo também mas,  após o tratamento que ele e o secretário Simplício dão aos temas e, ao mesmo tempo, e ao mesmo tempo ele tem me representado em muitas inaugurações de obras, por uma razão simples: são muitas obras.

Se eu fosse inaugurar tudo aquilo que o Governo do Estado entrega por ano, propriamente eu não ficaria no Palácio, o que muito me agradaria inclusive, mas ao mesmo tempo impediria que eu cumprisse outras funções inerentes ao cargo de governador do Estado.

JP – Em outros governos, o vice não tinha muito o que fazer?

Flávio – De fato, a gente tem normalmente duas, três, às vezes dez inaugurações em uma semana. Como é que eu vou  fazer isso?  Impossível.     Então eu vou. Ou Brandão e os secretários vão. Nas inaugurações educacionais o secretário Felipe Camarão vai. Então é impossível para mim fazer sozinho e o Brandão vai e eu fico muito tranqüilo com esta presença dele. Portanto, esta é uma resposta a esta pergunta. Ou seja, o papel administrativo, político do vice-governador que, neste caso, tem sido bem cumprido.

Tanto que, em 2014 quanto em 2018, eu tive muita firmeza na definição do Brandão em primeiro lugar como candidato e depois como candidato à reeleição na condição de vice-governador e acho que, nesse aspecto, acertei. Acho eu por conta exatamente desse papel que ele tem desempenhado.

JP – Além de Brandão, outros nomes já começam a ser cogitados?

Flávio – Sim. Há um debate, que vai acontecer na hora própria, no que diz respeito à futura eleição majoritária. O que estou dizendo é que, é claro, Brandão é uma espécie de pré-candidato natural, até porque existe o cenário de eu sair do governo e ele, naturalmente, assumir o Governo.

Então é óbvio que ele é um pré-candidato natural em 2022. Agora, há também, felizmente, outras tantas alternativas. A gente não pode fechar este debate agora. Há outras pessoas no nosso grupo igualmente credenciadas, que têm uma trajetória igualmente exitosa. O certo é que nós teremos, sem dúvida, um candidato que representará em 2022 a perspectiva de defesa do processo de mudança no Maranhão.

Quem será esse candidato nós vamos vendo. Não é um momento realmente de arbitramento disto. As movimentações são normais, as especulações são normais. Mas realmente há tempo para tudo embaixo do céu. E esse tempo é só em 2022. As coisas são muito organizadas: em 2020 a gente trata de 2020. E em 2022 a gente tratará de 2022.

JP – Pode-se dizer que haverá um cenário tranqüilo para sua sucessão?

Flávio – Bom. Em 2018 eu era muito cobrado sobre a chapa de senador. Dizia-se que se tinha que decidir logo sobre os nomes. E houve infelizmente até incompreensões em relação a isto. E eu dizia: olha, tem um processo de amadurecimento. E os fatos mostraram, modestamente posso dizer isso, que eu tinha razão.

Ou seja, nós conseguimos uma aliança de 16 partidos. Se a gente precipita, a gente acaba jogando fora um processo rico de diálogo, de entendimento, e acaba se enfraquecendo. Por isso que as coisas tem que ter um tempo. É igual fruta no pé. Eu digo muito aqui para minha equipe. Fruta no pé se a gente colhe muito cedo, ela está verde. Se a gente deixa ela muito tempo no pé, vem um passarinho bica, a fruta pode apodrecer. Processo político é assim também: a gente precisa saber a hora da colheita. E não é agora o tempo. Os frutos ainda estão muito verdes: os frutos de 2022. Agora vamos amadurecer são os frutos de 2020. Esta é a agonia da hora.

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